Oito e meia da noite (não sei se o reloginho daqui já está certo) e eu ligo na Record. A Fafá de Belém canta o hino brasileiro. Lula e Edir Macedo acabam de se abraçar, logo após apertarem um botão que coloca no ar o novo canal Record News, de notícias. A primeira entrevista do canal será com Renan Calheiros, dando sua versão do escândalo em que se viu envolvido nos últimos dois meses.
Para dar bojo ao objeto que ilustra o título deste blog, apresento-lhes um mini-documentário em duas partes de dez minutos sobre o maior DJ que esse país já teve. Talvez ao lado do DJ Marlboro. É... você pode não gostar, mas o Marlboro é muito importante no ramo.
Meu pai conta que ouvia todos os dias o programa do Big Boy, e que gravava música por música em seu gravador de fita de rolo. Até um dia em que o Big Boy, chateado com a pirataria de seu programa, colocou aquele selo musical por cima das músicas, dizendo seu nome.
Tá vendo? Tropa de Elite sofre de um mal antigo que só.
Quando eu crescer, eu quero ser o Ricardo Darín. Na verdade, nem precisaria crescer. Digamos que eu já perdi a chance de ter tido uma vida tão legal quanto a dele. Foi uma criança prodígio na Argentina. Tinha belo rosto, com olhos claros, e estrelava campanhas publicitárias e papéis em séries de TV. Tornou-se um belo jovem e consolidou-se como "galancito", como são chamados por lá os jovens "estilo Malhação". Tá... isso não é a parte legal. O melhor é como ele lidava com isso. "Nunca deixei de fazer teatro, em todos os períodos da minha vida. E nunca me vi como galã. Vivi isso até os trinta e poucos anos, mas nunca era bem visto pelas atrizes. Eu ficava rindo dos textos, achava aquilo tudo muito engraçado, não conseguia levar à sério. Na minha carreira, o palhaço matou o galã".
Conheceu o Rio aos 17 anos. Cheio de dinheiro. Com três amigos. Ficaram por aqui dois meses e meio, hospedados em uma casa na Rua Duvivier. Imagina o alvoroço que não deve ter sido. Com vinte e poucos anos, namorou com a atriz mais famosa e bonita da Argentina. Uma espécie de Juliana Paes de lá. Viajou com ela por todo o mundo. Num determinado momento da vida, lá pelos trinta e poucos anos, começou a fazer filmes sérios, e se realizou profissionalmente. Transformou-se na cara masculina do maravilhoso cinema argentino. É um ator, digamos, "no miudinho".
Agora, está lançando um filme como diretor e protagonista. Realizando um sonho aos cinqüenta anos, idade em que as pessoas normais começam a pensar em aposentadoria. Continua com um sorriso de jovem no rosto, é um papo mais do que agradável e ainda tem os belhos olhos claros.
Vem para o Rio e vê a cidade da cobertura do Sofitel, entre Copa e Ipanema. Nunca viu Tropa de Elite.
A voz de Madeleine Peyroux é frágil, brilhante e delicada como um fio de azeite extra virgem. Daqueles com acidez próxima de zero, em frascos escuros e compridos.
Aquela frágil linha melódica de azeite balança de lá para cá, ao sabor do vento e dos solavancos, pende como se flutuasse, e pousa com carinho nos ouvidos. É voz de aconchego. Voz de mãe.