Entry: BOAS LEMBRANÇAS 5.10.07



Todo mundo sabe que esse negócio de YouTube é sensacional, mesmo com a eterna lista de tranqueiras inúteis por lá. Mas pra mim, além da maravilha de poder rever episódios antigos dos Trapalhões, esse site faz valer sua existência por trazer de volta aos meus olhos e ouvidos três dos momentos mais expetaculares que vivi em frente a uma televisão. Vale mais ainda por poder trazê-los aos olhos dos que vêm aqui.

O primeiro e talvez mais expetacular é a vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil em 1991. Eu tinha dez anos. Mesmo os que hoje acham Fórmula 1 um saco - e eu infelizmente me incluo entre eles - deveriam ver esses três minutinhos que estão entre os mais emocionantes da minha vida. A última volta de Senna, que já era bi-campeão mundial mas nunca tinha vencido no Brasil. E tinha isso como sonho de vida, coisa rara de se ver hoje em dia. Ele terminou a corrida só com a sexta marcha funcionando, e fisicamente esgotado por isso. Com o adversário a menos de três segundos de diferença atrás. Os que viram vão lembrar que ele mal conseguiu levantar o troféu, porque não tinha forças. Detalhe emocionante - eu sempre me arrepio e choro vendo isso - é o grito do microfone que ele tinha no capacete, assim que a corrida acaba.

Respirou? Pois aí vem o segundo. Aconteceu dois anos depois, em 1992. Se você não é Flamenguista, pode pular para o último direto, ou olhar o Júnior pulando como criança depois de marcar o primeiro dos dois gols do Flamengo contra o Botafogo, no empate de 2 a 2 que deu o pentacampeonato ao meu time. A imagem que ficou do único grande título que vi meu time ganhar.

Para terminar, dois anos depois, em 1994, vocês lembram muito bem o que aconteceu. Na tela, o pênalti perdido e a comemoração do time. Eu, meu pai, minha mãe e meu irmão nos abraçamos e ficamos rodando e gritando, como nunca tinha acontecido antes, e como nunca mais aconteceu. Pintei as orelhas de minha boxer de verde e amarelo e fui para a praia de Ipanema comemorar.

Lembra, quando os brasileiros choravam, pulavam e gritavam só porque foram vitoriosos no esporte? Pois é. Foi logo ali, no começo dos anos noventa.

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